Tai Wan Beach - Hong Kong
Caros leitores,
Existem países, cidades, sítios ou lugares que fazem parte do nosso imaginário de paraíso e que permanecem nessa fração da mente até conhecermos os lugares. Após os conhecermos passam a constar noutro lugar, o da realidade experimentada, essa experiência irá dar lugar a uma boa ou má memória dependendo se esse local correspondeu ou não, às nossas desejadas expectativas. Creio que não existe nenhuma viagem, por mais que algo não corra tão bem ou aconteça alguma peripécia menos agradável, em se retorne com puro sentimento de arrependimento com o facto de termos saído do nosso lar em busca dessa experiência ou lugar. Muito pelo contrário, regressamos sempre mais ricos do que quando saímos de casa, mesmo quando algo corre mal. No entanto, em certas viagens, mesmo correndo tudo dentro do esperado, podemos eventualmente regressar com um certo e inexplicável sentimento de desilusão, talvez porque planeamos e imaginamos com demasiado otimismo e expectativa, aquilo que o sítio nos podia fazer sentir e oferecer, mas no final não corresponde ao esperado. Por outro lado, quando não temos grande expectativa de um sítio e ele sim, excede as expectativas, sentimos que a viagem valeu mesmo a pena, porque uma surpresa é sempre uma surpresa. Atualmente, com a democratização e massiva divulgação de destinos de viagens, sejam eles dos mais populares e clássicos, aos mais improváveis e inacessíveis, já se torna difícil sermos surpreendidos com aquele sentimento de puro deslumbramento quando visitamos um novo local. Ora foi precisamente o contrário que aconteceu quando visitei o Parque Natural de Hong Kong, classificado como "UNESCO Global Geopark". Esta entidade distingue áreas naturais com elevado valor geológico, nas quais estejam em prática estratégias de desenvolvimento sustentado, baseadas em valores naturais e humanos. Em Portugal também temos alguns lugares com esta classificação, por exemplo, os Geoparks de Arouca e Macedo de Cavaleiros.
Existem países, cidades, sítios ou lugares que fazem parte do nosso imaginário de paraíso e que permanecem nessa fração da mente até conhecermos os lugares. Após os conhecermos passam a constar noutro lugar, o da realidade experimentada, essa experiência irá dar lugar a uma boa ou má memória dependendo se esse local correspondeu ou não, às nossas desejadas expectativas. Creio que não existe nenhuma viagem, por mais que algo não corra tão bem ou aconteça alguma peripécia menos agradável, em se retorne com puro sentimento de arrependimento com o facto de termos saído do nosso lar em busca dessa experiência ou lugar. Muito pelo contrário, regressamos sempre mais ricos do que quando saímos de casa, mesmo quando algo corre mal. No entanto, em certas viagens, mesmo correndo tudo dentro do esperado, podemos eventualmente regressar com um certo e inexplicável sentimento de desilusão, talvez porque planeamos e imaginamos com demasiado otimismo e expectativa, aquilo que o sítio nos podia fazer sentir e oferecer, mas no final não corresponde ao esperado. Por outro lado, quando não temos grande expectativa de um sítio e ele sim, excede as expectativas, sentimos que a viagem valeu mesmo a pena, porque uma surpresa é sempre uma surpresa. Atualmente, com a democratização e massiva divulgação de destinos de viagens, sejam eles dos mais populares e clássicos, aos mais improváveis e inacessíveis, já se torna difícil sermos surpreendidos com aquele sentimento de puro deslumbramento quando visitamos um novo local. Ora foi precisamente o contrário que aconteceu quando visitei o Parque Natural de Hong Kong, classificado como "UNESCO Global Geopark". Esta entidade distingue áreas naturais com elevado valor geológico, nas quais estejam em prática estratégias de desenvolvimento sustentado, baseadas em valores naturais e humanos. Em Portugal também temos alguns lugares com esta classificação, por exemplo, os Geoparks de Arouca e Macedo de Cavaleiros.
O ponto de partida para este pequeno passeio foi Macau. Escolhi o trajeto
de ferry entre Macau e Kowloon (Hong Kong). Chegando a Kowloon, existem vários
itinerários até à vila de Sai Kung. No meu caso, como tinha o objetivo de
acampar na praia, fiz um pequeno desvio para ir comprar uma tenda
de campismo. Saindo do terminal marítimo, seguindo para sul na Canton Road
cerca de 300 metros, em frente ao shopping Silvercord, está uma estação de
autocarro com o mesmo nome, onde o autocarro 215X que nos leva até à zona de
Kowloon Bay. Saí na estação de Wang Tung Street Kowloon Bay e segui até ao
shopping MegaBox, onde subi até ao 8º piso, e na loja GigaSports podem
encontrar tudo o que precisam para hikking e campismo. Depois de comprar a
tenda, segui em direção a norte até à estação de metro Choi Hung. Caso não
pretendam acampar, ou optem por alugar a tenda na praia, podem evitar este
desvio no percurso. O melhor será após sair do terminal marítimo de Kowloon
seguir diretamente para uma estação de metro, neste caso as duas mais próximas
são Jordan ou Tsim Sha Tsui. Numa ou outra estação devem entrar na linha
vermelha em direção a Tsuen Wan, e uma ou duas estações à frente trocar para a
linha verde em direção a Tiu Keng Leng, e sair na estação de Choi Hung. Aqui
existem dois autocarros que nos levam diretamente à vila de Sai Kung. Um é o Green MiniBus 1A, em que a paragem fica mesmo ao lado da estação de metro, e o outro, o 92, basta caminhar uns 100 a 200 metros pela Clear Water Bay Road em direção a oeste, que vão encontrar a sua paragem chamada Pak Hung House. Após uma viagem de
sensivelmente 30 minutos, chegamos à paragem Sai Kung Pier, que fica perto do
cais marítimo de Sai Kung.
Nesta vila, bastante virada para atividades marítimas, tanto lúdicas, como
piscatórias, existem boas opções de restaurantes para os amantes de marisco.
Apesar de eu o ser, e o marisco ter mesmo bom aspeto, como estava apenas de
passagem, decidi deixar estas iguarias para uma próxima visita e seguir
caminho.
Neste mesmo local, existe a
possibilidade de requisitar o serviço de Water Táxi e navegar diretamente para
a praia de Sai Wan (esta é a opção mais cómoda e rápida). Por outro lado, na
Chan Man Street, em frente ao MacDonalds, existe uma paragem de autocarro (na
verdade é apenas um cartaz afixado num poste com o horário) do MiniBus 29R, que
nos leva até ao Sai Wan Pavilion. Este é o último ponto do parque natural
onde os carros podem circular. Apesar de ter planeado ir no Mini Bus, quando cheguei à paragem o relógio marcava 13h30, ou seja, faltava cerca de 2 horas até à próxima carreira. Como ainda tinha um longo trail pela frente e já se
começava a fazer tarde para aproveitar a praia, decidi optar pelo táxi que
dispõe de uma praça mesmo ao lado da paragem de autocarro. A viagem até ao Sai
Wan Pavilion demora cerca de 20 minutos, tanto de táxi como MiniBus.
Após este ponto, existe um longo e
duro trilho, chamado MacLehose Trail. O nome é dado por um antigo governador de
Hong Kong, que era um grande entusiasta do hikking. Este trilho percorre quase
todo o parque natural, e no total tem quase 100 km. O meu percurso passou
apenas por uma fração deste trilho, desde Sai Wan Pavilion até à praia de Tai
Wan, passando pelas praias de Sai Wan e Ham Tim.
Após cerca de 1 hora de caminhada, na
praia da Sai Wan, existem dois restaurantes e uma escola de surf, a Surf Hong
Kong. Nesta escola, além da possibilidade de requisitar as aulas, os mais
experientes podem apenas alugar o material que necessitarem.
Num pico do trilho, entre as praias de
Sai Wan e Ham Tim, é possível deslumbrar as praias de Ham Tim, e mais ao fundo
Tai Wan e Tung Wan.
Apesar da beleza inquestionável da
foto, pela altitude a que foi captada, é possível perceber a dureza deste
trilho. E assim, após mais 30 minutos de sobe e desce, cheguei à praia de Ham Tim.
Nesta também existem dois
restaurantes, onde creio ser possível o aluguer de tendas e pranchas de
surf. Os restaurantes ficam no extremo oposto da praia, quem vem de Sai Wan, e
para lá chegar é necessário atravessar uma engenhosa ponte de tábuas e bidões.
Atravessei-a várias vezes, e por isso posso assegurar o seu bom comportamento
estrutural.
Seguindo um caminho
entre os dois restaurantes, é possível encontrar assinalado no chão um desvio
para a praia de Tai Wan, que está a uns escassos 5 minutos a pé. O trajeto entre estas
duas praias leva-nos a acreditar que estamos numa floresta tropical, tamanha é a
sinfonia de sons emitida pelos animais que nos rodeiam durante o percurso.
Finalmente, e após
ter zarpado de Macau no ferry das 9h, alcanço o meu objetivo por volta das 16h, a
relaxante, imaculada e selvagem praia de Tai Wan irrompe de forma esplendorosa
no final deste longo trajeto. A sua areia delicadamente fina e branca, o mar
com o q.b. de ondulação convida sem qualquer hesitação, a um refrescante e recompensador
mergulho.
A última coisa que esperava encontrar era gado a pastar pela praia, mas pelo incrível que pareça ainda veio contribuir mais para a sensação de harmonia com a natureza. A sua presença foi constante, e ao acordar no dia seguinte, vi que estava uma manada quase dentro de água a descansar.
Terminado o processo de montagem da
tenda, pude finalmente desfrutar da praia na sua plenitude. A areia é limpa e o único "lixo" que podemos encontrar são algumas algas e restos de bivalves ou vegetação. A temperatura da água, nesta altura do ano (final de Abril), faz lembrar na perfeição as praias algarvias nos inícios do verão, ou seja, não é quente, mas basta alguns segundos para nos habituarmos e ficar durante largos minutos, se assim for a nossa vontade.
Ao contrário da praia de Ham Tim, o
facto da praia de Tai Wan estar despida de qualquer tipo de infraestrutura de
apoio aos banhistas, aliada à sua envolvente paisagística, contribuiu em muito
para uma enorme sensação de liberdade e relaxamento. Por esta razão, a praia de Tai Wan é muito menos povoada do que a sua vizinha, Ham Tim, que apresenta um número bastante superior de banhistas e campistas.
Mas claro, ao final da tarde, depois
de toda a energia despendida em todo o percurso, a barriga já estava a dar horas
e com a ajuda de uma lanterna, fiz novamente o percurso até Ham Tim. Jantei e
passei parte do serão no restaurante chamado On Kee Store. Este restaurante é
formado por um staff muito prestável e simpático, entre eles um senhor que conta já 70 ou 80 anos, mas sempre com uma enorme genica no
serviço, e uma senhora provavelmente também na mesma faixa etária, que quando chega
à mesa com o pedido, diz constantemente “thank you, thank you” de uma forma
muito carinhosa e alegre. A comida foi galinha com ananás, com o típico molho
agridoce e arroz branco, e para completar o serão, calamares fritos, tudo isto
acompanhado por cerveja fresquinha. Para quem gostar de comida chinesa, estava
ótimo.
Após o serão, regressei novamente à
praia de Tai Wan, para pernoitar na companhia do som do mar e da luz da lua. As
fogueiras e adereços trazidos por alguns campistas deram um toque mágico ao
ambiente da praia durante a noite.
Ao acordar, foi com este cenário me
deparei, uma ténue e refrescante neblina, que convidou desde logo a um passeio
matinal à beira mar. Esta neblina foi gradualmente desaparecendo, e por volta
das 10 da manhã deu lugar a um céu praticamente limpo. Não sendo eu um especialista na
matéria, diria que da parte da manhã estavam reunidas condições para uma
razoável prática do surf. E de facto, o número de surfistas que foi chegando
à praia durante a manhã comprovou isso mesmo.
Após alguns mergulhos, com a
temperatura a subir e a falta de sombras, foi altura de arrumar tudo e ir para
a abençoada sombra da esplanada do restaurante onde tinha jantado no dia
anterior. Depois de tomar o pequeno-almoço, uma deliciosa omelete recheada com fiambre e alguns vegetais, era altura de relaxar e contemplar a paisagem.
Após algumas horas, e
como tudo o que é bom acaba depressa, decidi iniciar a jornada de regresso e
fazer-me ao caminho. Desta vez, quando cheguei ao Sai Wan Pavilion, segui no
Mini Bus 29R, que por sorte estava mesmo prestes a partir. Chegado novamente
à vila de Sai Kung, foi simplesmente fazer o caminho inverso até Macau.
Veredito:
Considero este um destino ideal para quem gosta de um pouco de aventura, com
uma forte componente de hikking e campismo. Também serve os interesses de quem
aprecia umas belas praias para relaxar, dar uns mergulhos, ler um livro ou
simplesmente pensar nas origens da vida. É ótimo para libertar o stress
acumulado durante uma semana de trabalho e purificar os pulmões da poluição que
se faz sentir nas grandes cidades, que estão a escassos quilómetros. Em boa
verdade, falando de beleza pura e temperatura da água, aspetos que dependem sempre do gosto de cada um, não é uma Maya
Beach (Ilhas Phi Phi), ou outra praia equiparada, mas a preservação,
limpeza e autenticidade do local, aliada ao facto de estar tão próxima de uma
das maiores metrópoles do mundo, com uma das maiores densidades populacionais, e mesmo assim, ter um número relativamente baixo de turistas e veraneantes, fazem destas praias um verdadeiro oásis.
Informações:
- Mini Bus 29R (17
HKD).
- Táxi de Sai Kung
para Sai Wan Pavilion (100 HKD).
- Trajeto Water táxi
de Sai Kung para a praia de Sai Wan (150/200 HKD).
- Refeição no
Restaurante On Kee Store (Pratos entre 50 a 100 HKD, garrafa de cerveja 650 ml
35 HKD, garrafa de água mineral 500 ml 13 HKD), o restaurante ao lado, o Hoi Fung
Store pratica preços idênticos.
- Tenda de campismo
na GigaSport (99 HKD).
- Aluguer de tenda
para 2 pessoas (Escola Surf Hong Kong - 300 HKD).
- Aluguer de prancha
de surf 1 dia (Escola Surf Hong Kong - 400 HKD).
Dicas:
- Podem enviar
mensagem pelo FB (www.facebook.com/SurfHK) à escola de surf para recolherem informações sobre a previsão do tempo, estado do
mar, ou para reservar equipamento. Podem também, segui-los no Instagram (www.instagram.com/surfhongkongltd),
normalmente colocam a previsão do tempo antes de cada fim de semana. Ou
consultar o site www.ateamedventures.com.
- Um funcionário do
On Kee Store entregou-me este cartão-de-visita, podem enviar mensagens pelo
WhatsApp, possivelmente reservar ou perguntar preços de equipamento de campismo
e surf.
- As praias não são
vigiadas, por isso, é aconselhada grande cautela no mar, devido à possibilidade
de existência de correntes de retorno. Caso sejam apanhados por estas
correntes, não tentem nadar contra a correte, mantenham a calma e a flutuação
até sentirem que deixaram de ser puxados. Nadem paralelamente em relação à
praia algumas dezenas de metros para sair da zona de retorno, depois nadem
calmamente novamente em direção à praia.
- Caso decidam optar
pela viagem de Water táxi, devem sempre ter em conta que as
condições climatéricas podem alterar rapidamente e já não ser possível voltar
por mar. Por isso, devem ir preparados para a eventualidade de fazer
o trilho no regresso.































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